Há anos venho estudando o comportamento da mulher nos tempos atuais. Este espaço destina-se a analisar os reflexos (positivos e negativos) decorrentes do movimento feminista, através de textos escritos por mim e outros autores.

sábado, 18 de dezembro de 2010

ANO NOVO: UMA FOLHA EM BRANCO

Mais um ano que termina e outro que se inicia...


Um ano novo é como uma folha em branco.


Você pode rasgá-la, amassá-la ou jogá-la no lixo.


Porém, você também pode fazer lindos desenhos coloridos, origami, escrever poesias, traçar metas, colocar seus sonhos e desejos.


A folha representa a sua vida. Cabe a você decidir o que fazer.


Se escolheu a 2ª opção assista o vídeo abaixo e veja que realizar os seus sonhos começa por um ponto... “um ponto dentro de você”.





video


Um excelente Natal para todos e um Ano Novo, novinho em folha, com grandes realizações!!!!!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

CONDICIONAMENTO


"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia"
"A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma".
O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996 - Marina Colasanti


A gente se acostuma porque se deixa condicionar e no condicionamento não encontramos forças para reagir. O resultado são as doenças psicossomáticas, sendo que hoje a mais comum é a depressão.
Para reagir a esta situação uma das orientações é começar a mudar os seus hábitos. Preste atenção no seu dia e perceba quais e como são os seus atos mecânicos. Tomar banho, escovar os dentes, levantar da cama ao acordar são atos que fazemos mecanicamente e não nos damos conta de como fazemos. Observar os seus movimentos já é um grande passo para começar a tomar posse de si mesmo e não se deixar mais ser condicionado(a) pelas circunstâncias e/ou pessoas.


GEISA MACHADO